sábado, 13 de janeiro de 2018

O Feitiço, de Charlotte Brontë

Sinopse:

Uma história diferente, onde o romance, o mistério e o crime andam de mãos dadas. É este o pano de fundo para uma história onde nem tudo é o que parece. Charlotte Brontë conta uma história despretensiosa, rica e diferente.



Opinião:

Outro livro que tinha para ler há algum tempo. Gosto sempre de ler os livros das irmãs Brontë, pois têm sempre enredos fortes, boas descrições e personagens cheias de carisma. Neste livro encontrei isso, mas também encontrei alguma confusão. 

Confesso que não gostei muito da história e as personagens pareceram-me muito alteradas. No entanto, a história é forte, cheia de emoção, romance e vingança. 

Todas as personagens, e são bastantes, têm um traço distinto, o que lhes confere o carisma habitual das suas histórias. A escrita é muito boa, repleta de boas metáforas e com um vocabulário muito rico. O contexto podia estar melhor definido, tal como a história em si. 

No entanto, foi uma leitura leve e de rápida. 

Recomendo a todos os que gostam das histórias das irmãs Brontë.

NOTA (0 a 10): 5

A Taça de Ouro, de John Steinbeck

Sinopse:

A Taça de Ouro é um romance que narra a história de Henry Morgan, em especial o saque à cidade do Panamá. Henry Morgan, corsário muito inteligente e feroz, dominou o Mar das Caraíbas por volta de 1670, e teve como principal objetivo encontrar e casar com uma misteriosa mulher. Tal vai levá-lo a acontecimentos muito conturbados e que o marcarão para sempre. O romance histórico de Steinbeck.





Opinião:


Já tinha este livro na estante há algum tempo e decidi lê-lo no final do ano passado. Foi uma leitura agradável, diferente e interessante. Gostei de conhecer a faceta mais histórica do autor, cujas palavras fortes e certeiras já tinha lido em A Pérola.

Henry Morgan mostra-se uma personagem cheia de altos e baixos. A narrativa acompanha-o durante toda a sua vida desde a juventude. Sendo uma personagem verídica que eu não conhecia, o retrato feito pelo autor pareceu-me bastante forte e cheio de personalidade. Também as outras personagens são interessantes e conseguem preencher bem a narrativa e o contexto.

É uma leitura fácil, com uma escrita fluída, bela e de rápida leitura. Dei por mim a devorar o livro, em especial nos momentos de maior ação. Apesar de já ter lido A Pérola há bastante tempo, lembro-me de ter sentido o mesmo em relação à escrita e fluência. No entanto, não me fascinou.

Uma forma interessante, com uma escrita elevada e bem construída, assim como o contexto e a própria narrativa, de conhecer mais sobre este tema e a história deste corsário que tanta riqueza acabou por levar à Inglaterra. É como que um belo e lírico estudo sobre ele.

Recomendo, assim, este livro a todos os que gostam de uma boa história, de saber mais e de ler livros com diálogos pujantes e cheios de vivacidade.


NOTA (0 a 10): 7

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

City of Lost Souls, de Cassandra Clare

Sinopse:

Depois dos acontecimentos em The City of Fallen Angels (A Cidade dos Anjos Caídos), Claire e companhia vê-se sem Jace, que desapareceu com Sebastian. Sem saber o que fazer e como procurar Jace, Claire desespera e acaba por tentar tudo para o descobrir. O que ninguém esperava era que Jace estivesse tão ligado a Sebastian. Será que Jace está a tornar-se malévolo como o seu companheiro? Será que Claire consegue salvá-lo? Neste livro, os Caçadores de Sombra embarcam numa perigosa aventura para resgatar um dos seus caçadores favoritos. Muita ação, romance e aventura, como habitual nesta série.



Opinião:

Mais um bom livro de Cassandra Clare. Gostei bastante, muita emoção, muita ação e romance, misturados com escuridão e seres monstruosos. 

Neste volume, as personagens continuam na sua demanda. Continuam todas iguais a si mesmas, sem sofrerem grandes alterações. Talvez Simon continue a ser o único que tem um desenvolvimento maior e um amadurecimento mais complexo. Não sou grande fã da Claire, mas continuo a achá-la interessante. Bane e Alex continuam a ser uma bela dupla, sendo que é possível vislumbrar nesses momentos algo do trilogia As Origens, que é a minha favorita. 

Dei por mim a ansiar pelos momentos em que o Irmão Zacarias aparece, e queria muito encontrar a Tessa, mas parece que ainda não foi desta. Por vezes penso que continuo a ler esta saga por causa deste trio: Tessa, Jem e Will. E sei que é o grande motivo, mas eu acho que a autora conseguiu criar um mundo bastante interessante, forte e rico, com personagens boas e um contexto bem elaborado, portanto continuo a voltar à serie dos Instrumentos Mortais

Em relação à enredo, continua a seguir a mesma linha. Muita aventura, momentos de grande perigo, seguidos por outros mais calmos e com bons momentos de introspeção das personagens quanto às suas atitudes, desejos e ambições. Gosto especialmente destas partes e daquelas reservadas à ação. O romance é um fator que acabar por ficar um tanto para trás nesta história, uma vez que não consigo criar uma relação entre a Claire e o Jace...não consigo vê-los como casal maravilha...Gosto mais dos outros casais da história. 

A escrita continua a ser boa, cheia de vocábulos ricos e que preenchem o contexto (alguns em latim, por exemplo). A par da escrita está o contexto, que a autora fez questão de criar com tanto esmero e carinho. É mesmo o grande ponto forte desta serie e o que mais me encanta nela.

Tendo em conta tudo o que referi, recomendo o livro a todos que gostam da autora e de uma boa história de fantasia e ação.

NOTA (0 a 10): 8

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Valérian 1 a 12, de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières

Sinopse:

Valérian e Laureline são uma dupla de agentes espácio-temporais que vivem imensas aventuras, primeiro ao serviço da organização de Galaxity, a capital do Império Galáctico Terrestre, em 2720, e depois por conta deles, sempre com o objetivo de descobrir o futuro da Terra, uma vez que, no passado, devido a um acontecimento estranho e medonho, o planeta desapareceu de todos os Sistemas. 

Cada livro tem duas histórias, sendo que o décimo segundo é um género de reconto de algumas delas ou de material de interesse para os leitores que querem ficar a saber mais sobre estas personagens.



Opinião:

Decidi apostar nesta coleção depois de ver o filme que saiu no ano passado, com o mesmo nome e realizado por Luc Besson. Apesar de ser lindo visualmente e de ter um argumento fantástico, esperava muito mais de um filme de Ficção Científica. Havia muito mais para explorar e que não o foi, mas há algo muito bom para além do aspeto visual, que é a sequência inicial: única e muito bem conseguida, é uma das melhores que vi até à data. 

Acho que foi uma excelente ideia o Público ter optado por publicar esta coleção. Não conhecia as personagens, a história, os autores e fiquei bastante satisfeita. 

Valérian e Laureline são duas personagens muito interessantes, mesmo que não sejam muito complexas. Também não esperava que fossem, uma vez que o grande foco das histórias é mesmo a ação e o cariz visual das outras espécies que vão aparecendo ao longo das histórias e que estão muito interessantes e variadas, permitindo assim um olhar muito diversificado sobre as diferentes espécies que podiam existir em todo o Universo...todas a viver em harmonia. 

As histórias são muito boas, cheias de emoção, humor e muita ação. A juntar a uma escrita com humor e bastante sucinta, faz com que cada livro seja lido num ápice. Quis não ler tudo de seguida para poder desfrutar mais destas aventuras, que são todas elas diferentes. 

Porém, durante a leitura das várias histórias é possível deslindar várias outras leituras e mensagens que os autores quiseram transmitir através das personagens e das suas aventuras. As questões multiculturais, do ambiente, da rivalidade, da indiferença, dos vários perigos das sociedades modernas...é possível encontrar variadas referências nas entrelinhas das aventuras dos dois agentes e que transformam estas histórias que podem parecer simples, nalgo mais interessante e complexo, sendo algumas delas boas metáforas para questões sociais. 

Em relação às ilustrações, são magníficas. As expressões, as cores, os ambientes...tudo tem o maior detalhe, permitindo ao leitor entrar completamente nos diversos mundos e acompanhar Valérian e Laureline.

Assim, recomendo a todos os que gostam de banda desenhada e de boas aventuras!

NOTA (global, 0 a 10): 8

sábado, 30 de dezembro de 2017

Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman

Sinopse:

Neste livro, Neil Gaiman faz um reconto de várias lendas da mitologia nórdica, dando a conhecer vários dos deuses nórdicos e das suas aventuras. Odin, Thor, Loki e muitos outros, são as personagens destas lendas, que vão fazer o leitor viajar plena e apaixonadamente através destes mundos tão vastos, fantásticos e únicos. 

Emoção, diversão e muita aventura, são os principais ingredientes deste livro de Gaiman. São histórias conhecidas de quem segue estes temas, mas contadas com o olhar especial deste autor, que é sempre especial. 



Opinião:

Este não é o primeiro livro que leio sobre este tema, nem o primeiro com estas personagens. Dentro da mitologia nórdica, a nível literário, comecei com os livros da Joanne Harris (A Marca das Runas, A Luz das Runas, The Gospel of Loki). Mitologia Nórdica, de Gaiman, dá-nos várias histórias com os deuses nórdicos, as mais conhecidas e aquelas que foram ficando de geração em geração. Numa nota introdutória, o autor apresenta a história sucintamente e de forma magistral. Assim, este livro é um género de antologia de histórias desta mitologia, que nos dão a conhecer várias aventuras em que Thor, Loki, Odin e outros, aparecem para contar histórias. São várias, todas excelentes, muito bem contadas. Gaiman refere-o, e muito bem. Este é um livro para pegar, ler, contar. São histórias para serem contadas à lareira, num dia de frio, ou não, para fazer sonhar, divertir ou espantar. São histórias que muitos já conhecem, mas que são sempre boas de voltar a conhecer, porque há sempre algum detalhe, algo novo. É um mimo, este livro! 

O livro tem várias histórias, sendo que começa com aquelas que contam o começo do mundo até à que conta o final, o Ragnarok. São histórias pequenas e dei por mim a tentar abrandar a leitura para poder saborear cada bocadinho. Já as conhecia, principalmente do livro The Gospel of Loki, que tem praticamente as mesmas histórias, mas contadas na perspetiva do Loki, o que torna o livro bastante mais emocionante, uma vez que dá a perspetiva desta personagem. Não estou com isto a dizer que esta versão de Gaiman não é interessante, longe disso! São diferentes, apesar de contarem praticamente o mesmo. 

As personagens são os deuses nórdicos e os mais conhecidos estão em destaque, se bem que também aparecem outros que neste livro tomam também o seu lugar. Loki e Thor são as personagens que mais aparecem, sendo que são aquelas que aparecem em mais aventuras e que as desencadeiam, em especial, Loki. Gosto muito das personagens e já sabia o que lhes acontecia no final, mas voltei a emocionar-me como se não soubesse o que ia acontecer. Gaiman consegue, como em todos os seus livros, dar vida a tudo na narrativa. Consegue dar um toque especial, ele inflama tudo de emoção, descreve e escreve de modo a criar um clima espetacular, ele cria os climas perfeitos para todos os momentos, o que faz o leitor cair na história. É como se mergulhasse no enredo e fluísse no rio que ele é. Acompanhei as personagens em todas as suas aventuras e estive lá com elas. As últimas histórias são bastante fortes, e isso sente-se violentamente. 

A escrita do autor é uma maravilha. Ele pega na mão do leitor, caminha com ele para a história, mostra-lhe o contexto todo, as personagens...e depois... depois abandona-o ali, no meio de tudo e deixa-o à mercê dos acontecimentos da narrativa, para que viva uma experiência intensa e única, rica em detalhe e, especialmente, em emoção. 

Os livros de Gaiman conseguem sempre ter uma magia especial e este não é excepção. Gostei muito de todas as histórias, gostei do cariz próprio que o autor lhes deu e a forma como pintou as personagens, que se assemelham bastante às da Marvel, mas com o seu cariz especial. Um livro para todas as idades, se bem que haja momentos bastante fortes. 

Recomendo a todos os que gostam de histórias, de Gaiman, de aventuras, de emoção, de diversão. Há histórias para todos os gostos. Muitas delas deixam o leitor a rir-se às gargalhadas, muitas deixam-no aflito e preocupado e muitas deixam-no espantado. Um livro fantástico e muito bem conseguido.

NOTA (0 a 10): 10 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Minha Prima Rachel, de Daphne de Maurier

Sinopse:

Sem sequer nunca se terem encontrado, Philip odeia Rachel, com quem Ambrose, seu primo, casou durante uma estadia em Itália. E quando este lhe escreve e lhe transmite a suspeita de que a mulher o quer envenenar, Philip não sente quaisquer dúvidas.

Ambrose morre em circunstâncias pouco claras e Philip jura vingar a sua morte. Semanas depois, Rachel visita-o na sua propriedade da Cornualha, e a animosidade que Philip sentia por ela vai dando lugar a um fascínio incontrolável. Quem é Rachel, afinal? Uma mulher realmente apaixonada? Ou movida por interesses pessoais? 

Daphne du Maurier confirma nesta obra o seu enorme talento para escrever histórias com uma grande riqueza narrativa, suspense intriga permanentes e uma apurada caracterização das personagens. Um romance clássico, cativante, com uma escrita belíssima. (in Goodreads)



Opinião:

Aqui está um livro que me surpreendeu. Não o conhecia, apesar de já ter lido sobre o filme, que acabei por ver enquanto o lia. Já tinha lido algumas opiniões sobre Rebecca, mas ainda não tinha tido aquele desejo de ler A Minha Prima Rachel. Mas ainda bem que o descobri, porque foi uma leitura sublime, cheia de emoção e surpresa. 

A Minha Prima Rachel conta a história da prima de Philip e do mistério que a envolve. Philip, um jovem rapaz da Inglaterra rural, ao cuidado do seu primo, Ambrose, tem uma bela casa para administrar e cuidar. O seu primo, depois de partir para a Itália em busca de uma saúde melhor por causa do clima, casa com Rachel, uma mulher com um passado escondido, cujo primeiro marido fora morto em duelo. Quando Philip começa a receber cartas de Ambrose cujo conteúdo é dúbio em relação a Rachel, Philip começa a desconfiar da prima. E quando Ambrose morre doente, Philip acredita que foi Rachel que o envenenou. Mas, quando Rachel aparece na sua casa, o que era certeza acaba por tornar-se nalgo mais complexo e Philip vê-se num complexo jogo do qual não sabe sair. 

Uma história muito bem contada, repleta de mistério, suspense, intriga, romance e com uma narrativa maravilhosamente orquestrada, cuja escrita é soberba e muitíssimo acutilante. A autora criou uma aura de mistério numa história aparentemente óbvia e plana. Pelos olhos e palavras de Philip, o leitor entra na vida daquelas personagens, torna-se parte do cenário e do enredo e consegue assim seguir os passos de Rachel, ou antes, aqueles que Philip acredita serem os seus interesses, porque Rachel começa e termina por ser uma das mais misteriosas personagens da Literatura, cujos segredos e razões são um mistério. 

Em relação às personagens, só tenho a referir que são todas maravilhosas. Por mais normais que sejam, por mais comuns, todas elas são de uma complexidade ínfima, sendo Rachel a mais complexa de todas. Philip também tem o seu fascínio. O seu amadurecimento tem muitos altos e baixos e não tem um crescimento linear. É confuso e complexo e nem ele mesmo se compreende muito bem, pois é bastante imaturo. Com mudanças de humor que fazem com que a leitura seja uma montanha russa de emoções, uma vez que é ele o narrador, Philip leva o leitor para um mundo de sombras e segredos. Começa por apresentar Rachel como uma bruxa, uma assassina, para depois se apaixonar por ela e dar a conhecer uma Rachel que pode ser verdadeira, mas que está bem escondida, terminando por mostrar uma Rachel que é um mistério maior do que aquilo que foi parecendo ao longo de toda a narrativa. 

A forma como ele narra a história permite criar um clima tenso, elétrico e sombrio, o que faz com que o leitor esteja sembre num sobressalto e na tentativa de descobrir o que aconteceu e quais são os motivos de Rachel. É uma história de mistério, e o mistério está muito bem criado e muito bem conseguido, pois não é linear, nem fácil de entender nem de esclarecer. Aliás, o que parece ser logo muito fácil, acaba por se ir enevoando ao longo da leitura, deixando o leitor na dúvida até depois de terminar o livro. E foi isso mesmo que me conquistou, para além das personagens, da narrativa, da escrita... foi a perfeita dúvida quanto a Rachel e como a autora conseguiu deixá-la ser um mistério. 

Com uma escrita simples, mas cheia de detalhes e com uma clareza excelente, a autora dá a conhecer aquilo que é importante para a história em si e aquilo que é importante para o lado sombrio do enredo. Descrições fortes, belas e poderosas, diálogos elevados e cheios de emoção, fazem de A Minha Prima Rachel um livro belíssimo, que, a nível da escrita, fez-me lembrar Longe da Multidão, de Thomas Hardy.  

Um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida. O filme, apesar de ter um final um tudo diferente, não lhe chega nem perto. Está interessante, mas o livro é muito melhor, na minha opinião. Recomendo vivamente! Uma história para ler com calma e saborear, apesar da narrativa e da escrita em si darem vontade de o devorar. Um livro belíssimo, com personagens únicas, mistério, romance...tudo aquilo que faz de uma história, uma obra de arte. 

NOTA (0 a 10): 10